DICAS PARA REUNIÃO DE PAIS

As reuniões de pais costumam ser um dos momentos mais comuns de interação entre a escola e a família. Embora esses encontros sejam importantes para acompanhar e apoiar o desenvolvimento dos alunos, nem sempre eles ocorrem da maneira mais efetiva, o que acaba frustrando ambos os lados.
— Diretores —
Antes das reuniões
1. Envie mensagens para todos da escola e reforce a importância da participação familiar nas reuniões.
2. Divulgue antes a pauta da reunião para os pais e professores.
3. Compartilhe informações sobre as reuniões de pais e mestres com a comunidade de maneira geral.
4. Organize formações com os professores para que eles possam utilizar os melhores métodos para conduzir as reuniões.
5. Ajude as famílias a obterem informações sobre o desenvolvimento e rendimento dos seus filhos e demonstre que isso é importante.
Durante as reuniões
6. Esteja disponível para auxiliar os professores que precisam de apoio para conduzir a reunião e ofereça orientações aos pais.
7. Caminhe pelo edifício escolar para receber as famílias e comunicar a satisfação da escola com a sua presença.
8. Use as reuniões como um ponto de partida para obter uma maior participação da família na escola. Aproveite e compartilhe informações sobre como eles podem se envolver mais.
Depois das reuniões
9. Obtenha feedback dos professores e pais sobre o que funcionou e não funcionou durante as reuniões. Use isso para melhorar os próximos encontros.
10. Garanta uma comunicação constante entre as famílias e a escola. Oriente os professores para que eles estejam sempre em contato com as famílias. Também ofereça oportunidades para que as famílias sejam envolvidas na escola.
— Professores —
Antes das reuniões
1. Mande convites para as reuniões por meio de folhetos, avisos, e-mail ou telefonemas. Também inclua informações sobre horários e metas dos encontros.
2. Revise o trabalho dos alunos e também esteja preparado para apresentar seus dados de avaliações. Pense o que gostaria de saber mais sobre seus alunos por meio das famílias.
3. Prepare ideias e materiais para utilizar durante as reuniões. Elabore um portfólio com os trabalhos dos estudantes para compartilhar com as famílias.
4. Crie um ambiente acolhedor para receber as famílias. Deixe os trabalhos dos alunos expostos e organize as carteiras em círculos.
Durante as reuniões
5. Comece contando sobre o crescimento dos estudantes e as interações entre a classe. Ajude as famílias a conhecerem as metas de aprendizagem e identificarem quais são os campos que os alunos precisam de apoio.
6. Use exemplos para demostrar o progresso e as habilidades desenvolvidas pelos estudantes.
7. Faça perguntas e escute as famílias sobre seus sonhos e esperanças para os alunos. Também questione sobre estilos de aprendizagem e oportunidades educativas fora do espaço escolar.
8. Compartilhe ideias que possam apoiar a aprendizagem e sugira atividades para que as famílias possam colaborar com o desenvolvendo dos alunos dentro de casa.
9. Evite julgar o que os pais devem fazer. Busque soluções colaborativas para qualquer problema.
10. Explique como será feita a comunicação com as famílias e como elas poderão entrar em contato com você.
Depois das reuniões
11. Faça um acompanhamento com as famílias. Agradeça a presença dos pais e também entre em contato com aqueles que não puderam comparecer. Ofereça apoio aos pais e diferentes alternativas de comunicação.
12. Mantenha uma comunicação regular com as famílias, incluindo notícias positivas e atualizações do progresso dos estudantes. Também pergunte se os pais querem se envolver em outras atividades educativas.
143 Crie atividades de classe que possam se basear no que você aprendeu sobre as culturas das famílias, o ambiente de aprendizagem que eles estão inseridos e as necessidades dos estudantes.
— Pais —
Antes das reuniões
1. Esteja pronto para falar e escutar. Aproveite para saber do progresso do seu filho. Além de verificar suas notas e resultados, compartilhe com o professor sobre como é o comportamento do seu filho dentro de casa, quais são suas necessidades, sonhos e como o professor poderia ajudar.
2. Revise as tarefas e provas do seu filho antes da reunião. Faça uma lista de perguntas que gostaria de fazer ao professor.
3. Esteja preparado para ouvir sobre as virtudes e deficiências do seu filho. Também faça perguntas sobre como você e o professor podem colaborar com o desenvolvimento dele.
Durante as reuniões
4. Questione como está o desenvolvimento do seu filho, qual é o seu rendimento em comparação ao da classe e como ele poderia melhorar.
5. Peça para ver os trabalhos que o seu filho desenvolveu.
6. Compartilhe seus pensamentos e emoções relacionados ao seu filho. Diga em quais áreas o seu filho mais precisa de ajuda.
7. Pergunte como você pode apoiar o desenvolvimento do seu filho dentro de casa.
8. Tente conhecer quais são as atividades da escola você poderia estar mais envolvido.
Depois das reuniões
9. Faça um planejamento com as coisas que você e o professor se comprometeram para ajudar no desenvolvimento do seu filho.
10. Programe outra reunião para conversar com o professor ou pergunte como vocês poderão manter contato.
11. Converse com o seu filho sobre a reunião e compartilhe com ele o que você aprendeu. Mostre como você apoiará a aprendizagem dele dentro de casa e também peça sugestões.

Qualidades de um Bom Professor

Bom professor é aquele que se aproxima do aluno


Sala de Aula Invertida

“Sala de aula invertida faz alunos aprenderem de forma livre”

Livro sobre a didática proposta por professores norte-americanos (Flipped Classroom) acaba de ser lançado em português. Um dos autores, Jonathan Bergmann, conversou com o Porvir - ele dará um curso online para brasileiros este mês


E se os alunos assistissem às aulas expositivas em casa e fizessem os deveres em sala de aula? A ideia de inverter a ordem da aprendizagem tradicional foi colocada em prática por dois professores de Química, Jonathan Bergmann e Aron Sams, em 2007, em uma escola de uma cidade pequena e predominantemente rural do Colorado, nos Estados Unidos. 
Os dois perceberam que muitos alunos faltavam às aulas por conta de competições esportivas ou outras dificuldades, e ficavam atrasados em relação ao resto da turma. Por isso, decidiram gravar a parte expositiva de suas aulas, o que ajudaria esses alunos e de quebra facilitaria a vida dos próprios professores, que não precisariam repetir várias vezes a mesma explicação.
Com a ajuda de um software que gravava apresentações Power Point em formato de vídeo, incluindo voz e anotações, eles começaram a gravar as aulas e publicar o conteúdo em um site. Os vídeos permitiam ao estudante pausar o conteúdo para fazer anotações, voltar e assistir novamente se não compreendessem – o que nem sempre conseguem fazer com o professor em sala de aula.
Os professores se deram conta de que o momento em que os alunos mais precisavam deles era quando a dificuldade surgia ao fazer as tarefas e desafios, e não na aula expositiva.
 “A mágica realmente acontece na aula. Como a parte expositiva ficou fora da sala, em classe você pode ajudar mais como um tutor do aluno, acompanhá-lo de perto. O professor pode desenhar atividades mais intrigantes, projetos de aprendizagem, experimentos, debates”, enumera Bergmann, em entrevista ao Porvir.
Esse método ficou conhecido como sala de aula invertida (flipped classroom, em inglês) e, com a popularização do uso de tecnologia na educação, ganha adeptos pelo mundo. Primeiro, foram os vídeos de Bergmann e Sams que chamaram a atenção de educadores e de estudantes em diversas partes dos Estados Unidos.
 Em 2012, eles lançaram um livro, que já foi traduzido em mais de nove países e virou um best seller mundial. A versão em português foi lançada esse ano, “Sala de Aula Invertida – Uma metodologia ativa de aprendizagem”, pela Editora LTC. Atualmente, diversas plataformas facilitam a prática, que permite aos professores aproveitar com mais qualidade o tempo em sala de aula, dar mais atenção a quem realmente precisa (os alunos com dificuldade), oferecendo uma educação personalizada. Neste modelo, é possível que os alunos avancem na aprendizagem em ritmos diferentes.
Como e por que inverter?
Os autores defendem que a sala de aula invertida muda completamente o papel do professor, que deixa de ter como função principal transmitir o conhecimento e atua mais como orientador dos alunos. 
No livro, eles enumeram diversos motivos para adotar o método, entre eles estão: a inversão fala a linguagem dos estudantes de hoje (conectados, usuários de diversos recursos digitais); ajuda os alunos ocupados (aqueles que faltam às aulas, que moram longe, que estão sobrecarregados); ajuda os que têm dificuldade de aprendizado (eles podem pausar e voltar o vídeo com a explicação, o que não é possível em uma aula tradicional, e ganham mais atenção do professor durante as tarefas em sala); aumenta a interação do professor com os alunos, que passa a circular na sala interagindo com eles durante as atividades; muda o gerenciamento da sala de aula, acabando com problemas com alunos que atrapalham os colegas; permite que os pais participem mais e aprendam junto com seus filhos em casa; e induz ao que os autores chamam de “programa reverso de aprendizagem para o domínio”, no qual os alunos progridem dentro do seu próprio ritmo, caminho que os autores optaram por seguir e desenvolveram ao longo de anos.
“É muito importante que você tenha os principais públicos envolvidos (alunos, pais de alunos, escola). Explique o que está fazendo e o porquê disso”, pondera Bergmann. O professor acredita que há quatro dificuldades principais para quem quer começar a trabalhar com esse sistema: inverter a própria mente e entender o tempo em sala de aula, estar treinado apropriadamente para fazer a inversão de maneira bem feita (ter bons vídeos, ensinar os alunos como assistir aos vídeos de forma que extraiam as informações ao máximo), achar tempo para elaborar a aula invertida (ou encontrar conteúdos que o ajudem, como vídeos de outros professores ou outros materiais, como games) e dominar a tecnologia.
Uma das grandes questões que aparece para os professores é o que fazer se os alunos não assistirem aos vídeos? E se eles são tiverem acesso à internet em casa? Bergmann lembra que essa barreira foi resolvida por ele e seu colega com DVDs, quando começaram com o método, há quase 10 anos. Há escolas que fornecem espaços para os alunos assistirem aos vídeos ou ainda outros materiais que o professor pode usar.
“Isso se torna um problema menor quando a coisa é feita do jeito certo, menor do que você espera. Há softwares que podem rastrear quem está assistindo aos vídeos, e você saberá se eles estão vendo. Você pode inserir questões no meio do vídeo, então após dois minutos o vídeo pausa e o aluno responde uma pergunta”, exemplifica o professor.
No livro, os autores indicam passo a passo como gravar vídeos interessantes para os alunos. Sugerem um treinamento para que os estudantes aprenderem a assistir aos vídeos da melhor forma, e o que fazer com o tempo em sala de aula (uma sugestão é começar com uma discussão sobre o vídeo visto em casa, responder as dúvidas e iniciar tarefas/experimentos).
Para Bergmann, não existe um número ideal de alunos para aplicar a sala de aula invertida. “Obviamente é sempre melhor ter turmas menores, mas a sala invertida funciona em grandes classes. Eu acabei de voltar da Ásia, onde eles têm turmas com 50 alunos, e eles estão invertendo. A beleza disso é que antes de inverter a aula, em uma sala com muitos alunos, o professor não tinha interação alguma com eles, e agora terá muito mais”, relata.
Um modelo para o estudante de hoje
Os autores enfatizam que não foram os criadores do método, há muito tempo professores invertem a sala de aula de diversas maneiras. E também não existe “a” sala de aula invertida, uma maneira certa ou única de se inverter o ensino.
“Não é um novo modelo de certa forma, mas de alguma maneira é. É um jeito melhor para os estudantes aprenderem de forma livre. Com o advento da internet e a facilidade de criação de vídeos (Youtube e tal), eu acho que a época é propícia para esse modelo. Acho que tivemos o ‘timing’ certo”, afirma Bergmann.
Jonathan Bergmann participará de um curso online para professores brasileiros que começará em 9 de maio. Organizado pelo professor Wilson Azevedo, diretor da Aquifolium Educacional, o curso é realizado em três semanas. Na última, Bergmann participa de uma sabatina com os alunos, uma espécie de entrevista coletiva, na qual responde perguntas sobre a sala de aula invertida. Essa será a terceira edição do curso (outras duas turmas foram realizadas em 2013 e 2014).

O Ensino Híbrido Transformando a Educação

‘Ensino híbrido é o único jeito de transformar a educação’


Michael Horn explica como foi a construção do conceito e diz por que considera o blended learning a solução para grandes redes


Na primeira vez que o Porvir falou de ensino híbrido, lá pelos idos de 2012, não sabíamos nem como chamar essa tendência. Foi no site de uma organização chamada Innosight Institute que as coisas ficaram mais claras. O tal blended learning, que estava pipocando aqui e ali, se referia à mescla do ensino presencial com o virtual, dentro e fora da escola. Com essa integração de oportunidades de aprendizagem que a tecnologia proporcionou, os alunos passariam a ver mais sentido no conteúdo que lhes era apresentado, teriam acesso a um aprendizado mais personalizado às suas necessidades, seriam estimulados a pensar criticamente, a trabalhar em grupo. Um mundo de oportunidades se abria.
Dois anos depois, o ensino híbrido já se consolidou como uma das tendências mais importantes para a educação do século 21. Um dos especialistas internacionais que tem ajudado na disseminação dessas práticas e na análise de como o fenômeno tem se manifestado em diferentes redes de ensino é Michael Horn, que em 2008 escreveu com seu professor em Harvard, o renomado Clayton Christensen, o livroDisrupting Class: How Disruptive Innovation Will Change the Way the World Learns(Classe disruptiva: como a inovação disruptiva vai mudar a forma como o mundo aprende, em livre tradução), no qual abordava o nascimento de uma nova forma de fazer educação. Horn tornou-se cofundador do Innosight Institute, que em 2013 passou a se chamar Clayton Christensen Institute.
Em entrevista ao Porvir, o norte-americano, que tinha experiência na área pública e na de negócios antes de enveredar pela educação, diz considerar que o ensino híbrido é a única forma de se promover a transformação em redes de ensino. Dissse ainda que essa abordagem é capaz de oferecer ao aluno tanto o conhecimento quanto a oportunidade de desenvolver as habilidades de que vai precisar para ser bem sucedido na vida. “O ensino híbrido abre espaço para trabalhos em equipe, pensamento crítico como nunca antes”, afirmou. Para Horn, que será um dos palestrantes do Transformar 2014, o ensino híbrido tem também trazido à tona discussões sobre avaliação e organização dos alunos por idade e série.
Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.
O que você chama de inovação disruptiva em educação?
A palavra “disruptivo” tem sido tão usada que seu significado real tem se perdido. A disrupção é algo muito específico. Significa que uma inovação transformou algo que era caro, complicado, centralizado e inacessível, que só servia a um número limitado de pessoas, em algo com um preço muito mais acessível, conveniente e simples, que pode servir a muito mais gente. As inovações disruptivas em educação são sempre muito primitivas em seu início. Elas não começam como rupturas muito fortes. Elas vão melhorando e se aprofundando com o passar dos anos.
Existem muitas diferenças entre o que se chamava de disruptivo em 2007, no início do Innosight Institute, e agora?
Não. A disrupção sempre terá a ver com o ensino híbrido. Na educação básica, pelo menos. Na superior é diferente. No livro Disrupting Class ainda não usávamos o termo ensino híbrido, mas três ou quatro outros nomes. Agora o vocabulário amadureceu e é mais fácil falar de ensino híbrido.
Por que você acredita tanto em blended leaning?
Nosso sistema educacional, não apenas nos EUA, não foi construído para otimizar o aprendizado para cada aluno. Foi construído como uma indústria para atender a um grande número de alunos. Funcionou bem numa economia industrial, mas [não] na economia do conhecimento, quando se questiona por que o modelo não serve a muitos alunos. O sistema [educacional] está fazendo exatamente o que ele foi programado para fazer. O que temos visto consistentemente é que a inovação disruptiva é o único jeito confiável de se transformar o sistema. A coisa mais legal do ensino híbrido é que você pode personalizar o ensino para diferentes necessidades dos alunos.
Que bons exemplos práticos você já tem visto acontecer, especialmente em grandes redes?
Temos visto distritos do país inteiro se engajarem mais profundamente com o ensino híbrido. A cidade de Nova York, Houston, Miami Dade… São grandes distritos que estão fazendo dessa metodologia o centro de sua estratégia de transformação. Em uma escala menor, temos outros, como o Quakertown Public Schools in Pennsylvania. Temos também a Florida Virtual School, que é um distrito de escolas públicas que está servindo centenas de milhares de estudantes não só na Flórida, mas no mundo. Existem alguns sinais de esperança.
Já dá para ver como o ensino híbrido tem mudado a vida das pessoas individualmente?
Conheci algumas boas histórias. Estava em uma escola de ensino médio que adota o ensino híbrido em Utah. Eles tinham lá uma jovem que era totalmente desestimulada. Ela me disse: “Pela primeira vez, o professor está me ensinando individualmente, não para a turma inteira. De repente, estou aprendendo o que eu preciso. Percebi que sou alguém que importa e que pode ter sucesso”. E agora ela, que não tinha muita esperança na vida, falava pela primeira vez em ir para a universidade. Outro grupo muito beneficiado com o ensino híbrido é o de alunos com necessidades especiais. Cada aluno tem um plano individual de aprendizagem, então eles não se sentem diferentes, eles se sentem mais pertencentes ao grupo.
[Disrupção é] uma inovação transformou algo que era caro, complicado, centralizado e inacessível, que só servia a um número limitado de pessoas, em algo com um preço muito mais acessível, conveniente e simples, que pode servir a muito mais gente
É uma questão de aumentar a autoestima e a noção de identidade, certo?
Identidade é grande parte disso. Faz diferença dizer a todos que eles importam, que vamos buscá-los onde estiverem e que vamos ajudá-los a serem bem sucedidos. Tenho uma história da Summit. A Diane [Tavenner] fala sobre um aluno que tinham que ido mal em toda a sua vida acadêmica. No modelo que adotaram na escola, os alunos precisam dominar os conteúdos para avançar [os alunos têm acesso primeiro ao conteúdo por um programa de computador]. No primeiro dia de aula, esse aluno ficou apenas sentado, não fez nada [no programa]. No segundo dia, nada. No terceiro, ele levantou a mão e disse: “professora, acho que não estou evoluindo”. Ela perguntou por quê. “Na escola anterior, eu ia para a aula e o professor falava as coisas. Eu não entendia o que ele dizia, mas todo dia era uma coisa nova. Então eu evoluía. Agora, nada está mudando e ainda estou parado no mesmo lugar”, ele disse. “É porque agora você tem que fazer alguma coisa”, respondeu a professora. Esse sentimento de que o aluno precisa dominar, ser persistente, que ele é o dono daquilo é o que acontece num ambiente de aprendizagem.
E isso tem a ver com as competências para o século 21?
No século 21, você tem que ser capaz de aprender a vida inteira, de encontrar materiais de diferentes fontes. Os empregos estão mudando tão rapidamente, é preciso aprender a aprender. O ensino híbrido bem-feito – e não são todos os modelos que fazem – diz: “você é o dono do seu próprio aprendizado”. O ensino híbrido abre espaço para trabalhos em equipe de forma como nunca antes havia sido possível, abre espaço para o pensamento crítico. As pessoas passam a dominar os assuntos a partir de aulas virtuais e aprofundam esse conhecimento com seus professores com perguntas importantes.
E o que garante que o ensino híbrido seja bem-feito? Com o que devemos nos preocupar?
Precisamos nos preocupar em dizer que o conhecimento ainda importa, mas só o conhecimento não é suficiente. Devemos nos preocupar em analisar, avaliar, ter o domínio do próprio aprendizado, trabalhar em equipe, conectar o conhecimento a problemas da vida real para que o aluno entenda por que ele é relevante. Isso quebra o argumento de que o conhecimento não importa e o que importa mesmo são as habilidades. As pessoas que defendem o conhecimento diriam: “não é possível desenvolver habilidade a menos que você tenha conhecimento”. A melhor coisa do ensino híbrido é que podemos ter os dois.
E se formos apontar questões de infraestrutura?
Você precisa ter banda larga, uma boa conexão com internet. Nos EUA, estamos falando hoje em 100 megabits por segundo. Até 2020, será 1 gigabite por segundo. Mas o que temos visto é que escolas inovadoras estão descobrindo como fazer o ensino híbrido acontecer com muito menos. Em termos de número de equipamentos, existe muita flexibilidade. Se você tem 30 crianças, você pode ter de 8 a 10 aparelhos. Você não precisa de um para cada. Isso é legal, mas não é necessário. Cada vez mais, com esses equipamentos ficando mais baratos, mais estudantes terão um eles mesmos. BYOD (sigla para Bring Your Own Device, ou Traga o seu próprio aparelho)  será parte disso.
Voltando ao assunto das habilidades para o século 21, como promover uma educação baseada em competências aliada ao ensino híbrido?
O ensino híbrido é a ferramenta que personaliza a educação, tanto nas “competências duras” [conhecimento] quanto nas transversais. Uma educação baseada em competência trabalha com a noção de que os estudantes só podem avançar quando eles realmente dominarem um conceito. Você não avança de acordo com a hora do dia, mas de acordo com o que você sabe. É muito difícil ter uma educação baseada em competências, a menos que você tenha ensino híbrido. Eles são primos, mas não são a mesma coisa. Você pode ter um ensino híbrido ruim e nada de desenvolvimento competências e você pode ter um ensino baseado em competências sem o ensino híbrido, mas é muito difícil de fazer em escala.
Isso muda a forma como os professores gerem sua sala de aula.
Sim, muito. Antes, os professores davam uma aula para a turma inteira. Agora, eles podem ter 30 alunos em 30 níveis diferentes. Sua tarefa é muito mais ser um designer do aprendizado de cada aluno e avaliar para ver se estão dominando o assunto. Eles são assessores do conhecimento, treinadores, designers do aprendizado.
Mas em algum momento do ano eles terão de ser nivelados…
Esse é o tipo de coisa que a educação baseada em competências começa a questionar. Visitei uma turma de quinto ano em que os alunos estavam fazendo problemas de trigonometria. O problema é que o atual sistema vai dizer que, no fim do ano, eles serão avaliados em conteúdos de quinto ano. No ano seguinte, eles vão para o sexto ano e pronto. Isso não faz sentido, estamos impedindo o desenvolvimento deles. No entanto, se uma criança chega ao quinto ano sabendo matérias apenas do segundo, ela pode conseguir dar um salto e chegar à quarta série. Esse crescimento de dois anos é impressionante. O que queremos desse tipo de educação é um ritmo mínimo, no qual nenhum aluno avança menos do que um ano em um ano, mas não podemos restringir o lado oposto.
Isso também implica numa mudança das provas oficiais do governo, certo? No Brasil, temos a Prova Brasil, que acontece de dois em dois anos.
Esse é um grande desafio, não apenas no Brasil, mas em países de todo o mundo. Podemos criar exames e sistemas de prestação de contas que também são personalizados? Enquanto eu completo o estudo de um assunto adequadamente, será que posso fazer provas sob demanda para provar o que eu sei, um exame pequeno e pontual? Isso criaria um sistema muito mais confiável porque hoje no Brasil você só consegue me falar do desempenho das escolas do país com dados do ano anterior. Nesse sistema, você saberia todos os dias onde estão os estudantes.

8 Formas de Avaliar

8 formas de avaliar sem ser por múltipla escolha

Lista mostra como professores podem usar outras ferramentas, como games, badges, portfólios ou até mesmo concurso de dança


“A prova vai ser dissertativa ou de múltipla escola?”. Quem é o aluno, às vésperas de uma prova, que nunca se inquietou sobre como seria avaliado? Em carteiras enfileiradas, sem poder mexer o pescoço para o lado: ameaça de “pesca” ou “cola” (a depender de onde o aluno venha)! Mas serão apenas essas as únicas formas de avaliar o aprendizado dos estudantes? Não! É o que apontam especialistas, que vêm trazendo outras alternativas para que professores se atentem a outras ferramentas de medição – especialmente às da vida real. Por exemplo, uma maratona ou um concurso de dança poderiam valer créditos à disciplina de educação física ou então um trabalho voluntário no bairro valer como nota para a disciplina de estudos sociais ou língua portuguesa.
Confira então oito dicas que podem ajudar esses educadores sobre como avaliar os estudantes sem ser por meio de testes padronizados.
1. Games 
Mais e mais jogos estão sendo criados não apenas como uma forma de entretenimento. Os games educativos, por exemplo, permitem aos alunos que aprendam o tempo inteiro enquanto jogam, na medida em que vão passando de fase –ao contrário de uma prova tradicional. Cada estudante tem seu próprio ritmo de aprendizagem, o que traduz o grau de cada um. Um bom exemplo é o Manga Hi e os games que estão sendo desenvolvidos pela Tamboro, empresa brasileira que se dedica exclusivamente à criação de jogos educativos.
2. Desafio 
Por que marcar X numa prova, se na vida real somos avaliados de acordo com aquilo que fazemos e as atitudes que tomamos? Não é raro escutar por aí que, em vez dos clássicos testes de múltipla escolha, os professores deveriam avaliar seus alunos a a partir de desafios da vida real. Essa modalidade de avaliação funciona assim: o professor dá uma missão para o aluno e ele, com as habilidades que vem desenvolvendo na escola, precisa resolvê-la. Essa missão pode ter inúmeras características.
Nos EUA, a startup Rad Matter serve como uma vitrine para que os alunos mostrem seus talentos a empresas que estão buscando jovens profissionais. A cada contato entre empresa e aluno, uma missão é dada e o aluno é desafiado a conclui-la. Na escola, o desempenho dos alunos nessas missões podem ser considerados para compor sua nota na disciplina mais cabível.
No Brasil, um iniciativa está levando alunos da periferia de São Paulo a praticar esportes radicais, como escalada ou Le Parkour. A intenção é fazê-los sair de suas zonas de conforto e desenvolver regras de convivência, trabalho em equipe e autoconhecimento
3. Badges e pontos
Os badges (em um paralelo simples, como se fossem medalhas dos escoteiros) vêm se popularizando como um mecanismo de recompensa em jogos casuais e redes sociais como foursquare.com – na qual o usuário faz um check-in e, por isso, ganha pontos a cada lugar em que marca onde está. Transportados à educação, os badges podem ser usados para demonstrar a conclusão (bem sucedida) de uma atividade. Um exemplo disso é o Codecademy, site que ensina aos estudantes a programar. E a cada nível de codificação que avançam, eles vão recebendo badges e ganhando pontos.
4. Trabalhos reais 
Outra forma de avaliação é o incentivo aos estudantes para que saiam para fora da sala de aula e realizem trabalhos de verdade. Na Catherine Ferguson, nos Estados, escola dedicada a adolescentes grávidas ou que já se tornaram mães, parte do currículo das alunas é composto por trabalhos bem mão na massa, como como ajudar a construir casas, nos bairros vizinhos, para colegas que não têm onde morar.
5. Lideranças virtuais 
Estudantes mundo afora estão realizando trabalhos incríveis… Mas não na escola. Eles estão fazendo vídeos virais, escrevendo textos ou publicando seus próprios blogs etc. Considerado um paradigma atual, o problema é muitas escolas ainda não entenderam que podem contar com a internet e as tecnologias móveis para potencializar o talento de seus alunos. O que acaba acontecendo é que o mundo da escola e o virtual ficam totalmente separados e muitos talentos deixam de ser valorizados. Um exemplo que ilustra isso é o caso da menina Isadora Faber, que criou um blog para denunciar os problemas de sua escola e inspirou inúmeros Diários de Classe no Brasil. Já em uma matéria apresentada pelo Porvir, é possível saber como professores devem lidar com jovens talentosos. O que os alunos fazem no universo virtual podem e devem ser considerados nas disciplinas de comunicação e expressão. 
6. Talentos 
Ao contrário dos pontos oferecidos apenas para as atividades realizadas na escola, por que não oferecê-los para atividades realizadas também para além da sala de aula? Por exemplo, uma maratona, um concurso de dança ou um torneio de vôlei poderiam valer pontos na disciplina de educação física; um diário de bordo, a partir de uma viagem, poderia valer para créditos em estudos sociais; um recital, para ganhar nota na disciplina de música. Essas seriam situações em que a avaliação não vem da escola, mas do cotidiano desses jovens, do mundo real deles.
7. Personalização 
A avaliação precisa ser personalizada ao aluno, não padronizado para o sistema. Plataformas vêm surgindo para trabalhar de maneira individual o ensino. AKnewton, por exemplo, é uma das mais importantes do mundo. O ambiente virtual entrega o conteúdo aos alunos de diferentes formas e lhes propõe atividades ou exercícios, de acordo com o desenvolvimento de cada um.
8. Portfólios virtuais 
Os portfólios virtuais podem ser uma boa opção para que os estudantes reúnam suas produções – sejam músicas, desenhos, textos, vídeos etc. Esses materiais podem ser hospedados em um blog, na intranet da faculdade e da escola ou até mesmo em programas gratuitos adotados pelo professor para compartilhamento de arquivos. Uma plataforma nova que pode ajudar os alunos a construírem seus portfólios é a Knowit App. O Porvir escreveu uma matéria sobre como os blogs, que podem ser usados como portfólios online, são boas ferramentas para melhorar a escrita dos alunos e também ajudam professores a trabalhar temas como uso de mídias sociais, cidadania digital e direitos autorais.
Com informações do The Innovative Educator

Aumentando a Confiança dos Estudantes

Segundo reportagem do The Guardian, os anos que estudantes passam na universidade seriam, em um mundo ideal, um tempo livre de preocupações. Na realidade, os alunos lutam para cumprir inúmeros prazos e ficam pensando no que fazer de suas vidas. Esse e outros fatores podem contribuir para abalar a confiança dos alunos. Por isso, a reportagem trouxe cinco métodos para dar um impulso na confiança.
  1. Encarar problemas com uma abordagem acadêmica
Criar um mapa mental de suas preocupações e trata-las da mesma forma – ou com as mesmas habilidades – que os estudos é um dos passos sugeridos pela coordenadora da Universidade de Essex, Katie Finnimore (Reino Unido).
  1. Crie a vida social que você queira
A dica aqui é que os estudantes passem seu tempo de lazer fazendo aquilo que é agradável, não necessariamente o que seus amigos fazem. Muitos alunos não gostam de sair o tempo todo, por isso devem procurar alternativas que podem ser igualmente aproveitadas e divertidas.
  1. Tenha um mentor
Procurar alguém que passou pela mesma situação que a sua – e sobreviveu – pode ajuda-lo a organizar melhor sua lista de afazeres e seu tempo.
  1. Aproveite os serviços da universidade
Em universidades que têm dormitórios, comum no Reino Unido e Estados Unidos, a universidade geralmente oferece todo o apoio que os estudantes precisam, desde serviços que ajudam com problemas financeiros até com os dormitórios.
  1. Compartilhe seus problemas
Quando você se sente sobrecarregado, dividir os problemas com seus pares pode ajudar muito.

Design Thinking para Educadores

A partir de hoje está disponível para download a versão em português do Design Thinking para Educadores, metodologia difundida pela Ideo, consultoria global de design que expandiu o método para a área de educação, com o objetivo de desenvolver o pensamento crítico e a capacidade de inovação dos estudantes. 
A adaptação da versão, composta por um livro base e um caderno de atividades, foi elaborada por Priscila Gonsales, diretora do Instituto Educadigital, e busca aproximar o conteúdo à realidade brasileira. “Tudo o que foi possível adaptar para o nosso contexto foi feito.
Por isso, chamamos de versão e não tradução. Para que o educador brasileiro consiga fazer uso da metodologia em sala de aula, tivemos que trazer os exemplos para perto, deixa-los reais e possíveis de serem executados”, explica.
O material traz como exemplo do que já foi feito por meio da metodologia no país o caso do Instituto Akatu, que queria desenvolver uma rede de aprendizagem virtual. 
O processo, que foi acompanhado de perto por Priscila, almejava que a rede incentivasse práticas educacionais lúdicas e interdisciplinares e a troca de conhecimento entre professores e alunos sobre temas socioambientais. 
(O Porvir acompanhou o lançamento da Edukatuleia a matéria). 
Para isso, eles reuniram pessoas de diferentes áreas do instituto, educadores de rede pública, especialistas em tecnologia da informação e comunicação e crianças para pensar o projeto. 
Juntos desenvolveram workshops, pensaram no escopo da plataforma, e mapearam o processo até chegar na fase da prototipagem, de transformar as ideias em algo real.
Para o Akatu, apostar no design thinking “acelerou a criação, facilitou a inovação e ainda nos deu a oportunidade de experimentar na prática as ideias que estávamos propondo para aprimorar os resultados e soluções”. 
É assim que Silvia Sá, gerente de educação do instituto, resume como foi sua experiência com o design thinking. “Nosso objetivo era criar uma rede de aprendizagem, de troca de conhecimentos entre escolas e professores, era importante que desde a concepção do projeto estivesse presente o espírito de colaboração, de trabalho conjunto.
 Foi um processo rico, construímos algo que sozinhos dificilmente faríamos. Ouvimos as pessoas, de crianças a especialistas, assim é mais fácil entender o outro. 
O design thinking deixa latente a questão da empatia e a importância dela para o engajamento de cada um ao longo do processo.”
No material, a metodologia é organizada em cinco etapas: descoberta, interpretação, ideação, experimentação e evolução. Para cada uma delas, são oferecidas dicas de como organizar as ideias, formatar listas, usar post-its, histórias inspiradoras, fotos, aplicativos para tablets, celular etc.
O objetivo é trazer uma proposta para educadores e gestores criarem e encontrarem soluções criativas para o processo de ensino e aprendizagem focando na cocriação, na colaboração de todos para se chegar a um objetivo comum.
Na versão em português, diferentemente da original, os interessados também tem a opção de fazer o download do material por capítulos.
 O Design Thinking para Educadores é um remix, um recurso educacional aberto (REA), isso significa que o conteúdo pode ser compartilhado e adaptado para diferentes formatos, explica Priscila. 
O lançamento oficial do site, que já está aberto, acontece durante a 8aedição do Congresso Gife, entre os dias 19 e 21 de março, em São Pauo.